Páginas

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Orkut: o que fazer com os usuários falecidos?

Assim que li esse artigo, nao pude deixar de publicá-lo em meu blog. Muito bom mesmo. Parabéns Vinicius.

Usuários falecidos continuam vivos em seus perfis do Orkut e são cada vez mais numerosos. Podem hoje somar perto de 1 milhão. E teoricamente só eles poderão encerrar suas contas.

Você tem algum amigo falecido cujo perfil no Orkut continue lá? Possivelmente sim, o que nos leva à questão: o que fazer com este tipo de usuário inativo, digamos assim?

Manter ou não o perfil destes usuários pode se tornar um pequeno problema, talvez não previsto, no serviço de comunidades e relacionamento social do Google.

Sempre que acessamos os scraps de uma pessoa que tenha falecido, encontramos diversas mensagens e homenagens, sendo que esse perfil poderá nunca sair do Orkut.

Na lamentável tragédia ocorrida em São Paulo com o Airbus da TAM, por exemplo, havia uma vítima que tinha um perfil no sistema e era moderador de uma comunidade. Ou seja, como o perfil dela será excluído do Orkut e como poderá ser moderada a sua comunidade?

Alguns dados estatísticos podem verificar números próximos que estimem a dimensão do problema. Vamos fazer alguns cálculos:

Se o Orkut possui 62.759.867 usuários e cerca de 55,29 % deles se declaram brasileiros, chegamos a um número aproximado de 34.699.930 usuários do Brasil.

Sabendo-se que, de acordo com o IBGE, a taxa bruta de mortalidade anual no Brasil é de 6,3 por mil, constatamos que pouco mais de 218.609 usuários brasileiros do Orkut morrem por ano. Logo, daqui a cinco anos, serão aproximadamente 1.093.045 perfis de pessoas que já morreram.

O Orkut tem pouco mais de três anos de existência, se nossa conta estiver certa, isso pode significar que existe mais ou menos um milhão de pessoas que já morreram cadastradas no sistema. Esse cálculo foi feito analisando somente números brasileiros, sem contar os 18,88% de usuários dos Estados Unidos, 15,47% da Índia, entre outros países.

Se for assim, onde será que o Orkut vai parar? Será que se tornaria um cemitério vivo? Será que o Google criará alguma ferramenta para fazer as exclusões? Enfim, é impossível responder todos os ‘serás’ que venham surgir, mas existem diversas situações que tornam isso algo problemático ou não.

Para alguns seria constrangedor se deparar com o perfil de um conhecido que tenha falecido e isso se transformaria em um centro de más lembranças. Já para outros, seria uma simples forma de homenagem e de certa ‘imortalidade’, já que o perfil sempre estará ali com um pouquinho de si.

Você já parou para pensar nisso? Não sou nenhum geógrafo, estatístico ou matemático, mas, com esse simples cálculo, chegamos a dados estimados e conseguimos perceber o tamanho do desafio que o Orkut terá nos próximos anos para não ficar com grande parte de seus cadastros inativos e se transforme em um verdadeiro cemitério online.

Sobre o autor:

Vinícius Luiz (vinicius@am4.com.br) é designer é publicitário e escreve também para a revista W e o jornal regional A Voz da Cidade, no estado do Rio de Janeiro.

6 comentários:

The User disse...

O ideal seria deletar contas inativas á mais de 2 meses.

Marcellino Junior disse...

Excelente artigo, bem fundamentado. Concordo com você! Pq não envia seu artigo diretamente para a equipe do orkut?

Alex Starr disse...

Já existe até comunidades sobre isso, como a "Perfil de Gente Morta".
A melhor saída seria a exclusão de Perfis inativos.
Aliás, o mesmo deveria valer para comunidades.

Silveira Neto disse...

É complicado. Tem gente que usa esses perfis para homenagear, uma espécie de túmulo virtual. É até bem prático, porque fica uma lembraça mais duradoura. O Orkut devia possuir uma forma própria para manipular isso. Algo como um perfil, depois de morto, poder ter um guardião para cuidar e limpar os comentários e fotos.

Romel Zanini disse...

Acho que a idéia de eliminar perfis inativos após um determinado tempo seria o ideal. Só acho que o tempo de ociosidade poderia ser maior. Tipo uns 6 meses.

Alex Sandro C. Sant'Ana disse...

Eis aí uma questão pós-moderna para os agenciamentos ciberespaciais...